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Tópico: História do japão - Eras 1 to 5
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18-07-2005, 06:14 PM #1
História do japão - Eras 1 to 5
Como tou internado e vou estar mais algum tempo, decidi contribuir com isto:
Cronologia: As eras no Japão

Para entender melhor o Japão dos nossos dias, é preciso conhecer sua história, desde os períodos remotos. Se retrocedermos no tempo, poderemos chegar até os homens que viveram em cada época e seu estilo de vida. Nessa primeira edição vamos mostrar como é dividida a história japonesa através dos períodos ou eras.
Era Jomon - Os homens viviam da caça e pesca, alimentando-se com carnes de veado, porco do mato, atum, salmão, mariscos e frutas como uvas e castanhas. No início, levavam uma vida nómada, descobrindo com tempo, o modo de produzir vasos de barro. Com isso, conseguem conservar e cozer os alimentos. Aos poucos, vão se agrupando e formando aldeias, fixando-se em determinados lugares. Nessa época, não havia nem ricos nem pobres.
Era Yayoi - O cultivo de arroz e instrumentos de metal são transmitidos do continente. Com a intensificação das actividades agrícolas, e aumento da população, nascem as diferenças sociais, a classe dos ricos e pobres. Pela primeira vez, o Japão é mencionado numa escritura chinesa.
Era Kofun - Nesta época, foram construídos muitos túmulos gigantescos em forma de montículos (Kofun), pelos clãs poderosos. Neles foram enterrados muitos objectos de metal, bonecos de barro, pedras preciosas, entre outros tesouros. No início do século VI, o budismo é transmitido ao Japão, sendo introduzida a escrita junto com sutras.
Era Asuka - Forma-se a dinastia Yamato, após sucessivas lutas entre os clãs. Em meados do século VII, seguindo o exemplo da dinastia Tang (China), realiza a “Reforma de Taika”, definindo a organização política, o sistema tributário, etc. O príncipe Shôtoku institui os “17 códigos da Constituição”, norteados nas doutrinas de Shintoísmo, Budismo e Confucionismo.
Era Nara - o Código Administrativo do Japão é outorgado. O budismo torna-se religião oficial. Por 7 vezes, são enviadas delegações culturais à China para absorver a sua cultura. Ao voltarem, elas divulgam budismo, confucionismo, estratégias militares, músicas tocadas na corte imperial, rituais das cerimónias, e, trazem inclusive inúmeros sutras, imagens de Buda e instrumentos musicais. É compilada a primeira antologia de poemas “Man’yoshu”, são escritos primeiros livros de história do Japão, “Kojiki” e “Nihon shoki”, e ainda, foi editado o primeiro tratado de geografia japonês, o “Fudoki”.
Era Heian - Os japoneses começam a criar cultura própria, após ter assimilado durante anos a cultura chinesa. A permissão de apropriação das terras para uso particular dos nobres e dos templos esfacelou o ideal do Código Administrativo do Japão, que era o de Estado controlar o povo e as terras. A criação do “kana” (fonogramas), permitiu o florescimento da literatura, sendo escrito nessa época, o “Genji Monogatari”, que foi traduzido depois em várias línguas. Foi a época áurea da nobreza, em que foram criadas muitas obras de arte.
Era Kamakura - Surgimento da classe dos samurais e estabelecimento do shogunato. O budismo passa a ser cultivado pelo povo também. Os mongóis tentam invadir o Japão por duas vezes, liderados pelo poderoso Khubilai Khan, mas nas duas vezes, o Japão foi salvo por vendavais (kamikaze = vento divino) que dizimaram a frota mongol. Surgem os monges Shinran, Nichiren e Dogen, fundadores das seitas budistas.
Era Muromachi - Época conturbada por guerras civis. Durante um curto período, houve até dois imperadores no comando do país. As intermináveis guerras entre os senhores feudais, permitiram a ascenção dos mais fortes, mesmos daqueles de classe inferior. Início do comércio com a dinastia Ming (China), desenvolvendo as actividades económicas feitas com moedas, importadas da China. Ocorre o primeiro contacto com os portugueses que chegam à deriva no sul do Japão, trazendo a arma de fogo e o cristianismo.
Era Azuchi Momoyama - Nobunaga Oda e Hideyoshi Toyotomi vencem inúmeras batalhas e conseguem unificar o Japão. Nessa época, os japoneses têm o primeiro contacto com países da Europa e recebem influência do cristianismo. Para demonstrar o poder, são construídos grandes castelos, decorados com extremo luxo e requinte. Por outro lado, nessa mesma época, surgem a cerimónia do chá e o teatro Noh, que pregam a elegância da simplicidade.
Era Edo - Uma era bastante peculiar em que o país conheceu a paz durante mais de dois séculos. Houve o fechamento dos portos para as nações estrangeiras e a proibição do cristianismo. Para manter o shogunato, a família Tokugawa, adopta medidas rígidas e conservadoras, estabelecendo quatro classes sociais distintas: samurais, agricultores, artesãos e comerciantes. O Japão adopta a filosofia confucionista e institui escolas nos feudos e templos. A queda do shogunato Tokugawa é provocada por dificuldades internas e pela abertura dos portos.
Era Meiji - Com a queda do shogunato Tokugawa e a restauração do poder imperial, faz-se uma ampla reforma. A ocidentalização do Japão ocorre a olhos vistos, tal como a adopção do calendário ocidental. A guerra sino-japonesa e a russo-japonesa implanta patriotismo no povo, reforçando o militarismo. O país passa da economia agrícola para industrial.
Eras Taisho, Aisho e Heisei - O Japão passa por amargas experiências nas duas Grandes Guerras Mundiais. Ainda por cima, o povo sofre com danos causados pela natureza - o grande terramoto que atingiu Tokyo e imediações, e outro, mais recente, na cidade de Kobe. Torna-se o único país na face da Terra a ser bombardeado com bombas atómicas. Consegue se erguer da destruição quase que total do país, após a 2ª Guerra, chegando a fazer parte de um dos países mais rico do mundo. Passa por crises económicas, que estão sendo superadas com a adopção do sistema de redes de meios de comunicação electrónica para produção e distribuição e da tecnologia de micro-electrónica (ME) nas várias modalidades industriais."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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18-07-2005, 06:16 PM #2
1ª era - Era Jomon
O Inicio do Povo Japonês

Era Glacial
Há mais de 10 mil anos atrás, quando a Terra ainda era coberta por grossa camada de gelo, o Japão ainda estava ligado ao continente asiático. Nessa época, os homens chegaram até o extremo leste do continente asiático atrás dos mamutes e outros animais, manejando lanças e arpões com pontas de pedra. Eles moravam à sombra das rochas ou nas cavernas. Ao longo dos anos, foram criando língua e cultura em comum, formando o povo japonês.
Era Jomon
Com o fim da Era Glacial, há cerca de 10 mil anos, o nível da água do mar foi subindo, e com isso, o Japão foi separado do continente, formando o arquipélago japonês.
À medida que a Terra foi se aquecendo, os mamutes e outros animais gigantescos vão sumindo, e os veados, porcos do mato e outros animais menores vão aumentando. Como são animais mais ligeiros, os homens começam a utilizar muito o arco e a flecha. Além dos animais, os homens, alimentavam-se de frutas, castanhas, peixes e mariscos.
Os homens começam a produzir utensílios de barro, inicialmente utilizados para cozinhar alimentos e, mais tarde, para armazenar e conservar alimentos. A maioria dos utensílios dessa época possui ornamentações (MON) impressas com leve pressão de cordas (JÔ ou NAWA) sobre a sua superfície. Daí o nome Jomon, ou seja, ornamentações de marcas da corda.
Os homens passam criar grupos, cavam covas e, sobre elas, armam tectos cobertos com colmo nos locais propícios à caça e pesca, formando pequenas aldeias. Na época não havia distinção entre ricos e pobres. Todos dividiam os alimentos que provinham da natureza. Assim os homens respeitavam e ao mesmo tempo temiam a fúria da natureza. Para acalmar a fúria, eles criam rituais. Eram animistas, acreditando na existência de alma em tudo, nos rios, nas montanhas, nas pedras, etc.
Com a crescente migração do povo altamente desenvolvido do continente asiático, o Japão conhece o cultivo de, trigo e sorgo, inicialmente, e arroz posteriormente, encerrando assim, a era Jomon.
Além de utensílios de uso prático, como vasos, potes e tigelas, os homens da Era Jomon produziram muitos bonecos de animais e homens, assim como estatuetas de terracota, que provavelmente foram utilizados para rituais, cerimónias ou ainda como amuletos.
Enquanto isso, no resto do mundo:
• As pequenas nações em volta do Rio Nilo são unificadas, surgindo a civilização egípcia (3000 anos A.C.). Eles criam o calendário, que subdivide o ano em 365 dias.
• Entre o Rio Tigre e o Rio Eufrates surge a civilização mesopotâmica (2350 anos A.C.). Eles criam letras cuneiformes, sistema de 7 dias da semana, leis, etc.]
• Às margens do Mar Mediterrâneo e suas ilhas costeiras surge a civilização grega. Deixa legados inestimáveis de obras de arte que data de século 11 A.C. a século 1 A.C.
• No século 1 A.C. os romanos dominam a região do Mar Mediterrâneo e estabelece o império romano. Asfaltaram as ruas com paralelepípedos, criaram sistema de canalização das águas.
• Às margens do Rio Indu, há aproximadamente 2500 anos A.C., nasce a civilização Indu, sendo invadido pelos arianos, o povo é submetido ao rígido sistema hierárquico de castas.
• Nas bacias do Rio Amarelo habitavam o povo Han, mais tarde unificado por dinastia Han (206 A.C. a 220 D.C.). Criam muitas obras de bronze, e os ideogramas.
• Surge o filósofo chinês Confúcio (551 A.C. a 479 A.c.)
• Surge Sidarta Gautama(463 A.C. ? a 383 A.C.?), o Buda, fundador do Budismo.
• Construção da grande Muralha da China (iniciada em 202 A.C. e estendida até a dinastia Ming) , com aproximadamente 2.400 km.
• Nasce em Belém, Jesus Cristo (4 A.C.? a 30 D.C.?)
A criação do mundo, segundo a mitologia Japonesa:
Os deuses começaram a habitar primeiramente em um lugar chamado Takamagahara. Quando chegou a sétima geração desses deuses, o deus chamado Izanagi, ou o Pai do Céu, e a deusa chamada Izanami, ou a Mãe da Terra, receberam do Senhor do Céu uma lança e, sobre uma ponte flutuante do céu (Ama-no-ukihashi), mexeram o mar com essa lança. Das gotas de sal que caíam e se solidificavam, formou-se uma ilha chamada de Onokoro. Os dois desceram até a ilha, escolheram a coluna celeste e construíram um palácio.
Izanami deu uma volta na coluna celeste e, ao ver Izanagi, falou: “Que homem bonito!”. A seguir, Izanagi disse: “Que mulher bonita!”. E assim os dois se tornaram um corpo só e começaram a criar outras ilhas. Porém, quando olharam para elas, perceberam que não estavam muito boas. Então, voltaram ao céu para consultar os outros deuses. Eles explicaram aos dois que não é bom que uma mulher dite as primeiras palavras. Assim, o casal retornou ao palácio e, dessa vez, foi Izanagi quem dirigiu as primeiras palavras à Izanami. Unidos dessa forma, começaram a nascer belas ilhas, uma após a outra. Primeiro nasceu a ilha de Awaji, depois a de Shikoku, em seguida a de Honshu e as demais, totalizando oito ilhas. Além delas, Izanami procriou o Deus da Montanha, do Mar, do Vento, e mais 35 deuses. Ao dar à luz ao seu último deus, o Deus do Fogo, morreu queimada.
O mundo dos mortos
Não conseguindo esquecer Izanami, Izanagi vai até o mundo dos mortos para encontrá-la. Izanami fica feliz e deseja muito retornar à Terra, mas pede a Izanagi para não olhá-la até que o Deus da Morte lhe dê permissão para retornar. Ansioso demais para revê-la, Izanagi quebra a promessa e acaba olhando para sua amada. Qual não foi o seu susto! O corpo dela estava coberto de vermes e com oito tipos de trovão. Assustado, Izanagi começa a fugir. A mulher tenta aprisioná-lo enviando a tropa dos deuses do trovão. Na fuga, Izanagi apanha três pêssegos e atira-os contra os perseguidores, que são afugentados pelo seu poder mágico. Ele fecha a entrada do Mundo dos Mortos com uma pesada rocha que demandaria a força de mil homens para removê-la. Bastante irada, Izanami roga uma praga, dizendo de trás da rocha: “Para me vingar de ti, matarei por dia, mil homens do seu país!”. Izanagi responde: “Então farei com que nasçam 1500 crianças por dia!”.
O nascimento da deusa do Sol, Amaterasu
Izanagi purifica o seu corpo maculado por ter ido até o mundo dos mortos, através de outros relacionamentos. Nessa ocasião também nasceram muitos deuses. Por último, enquanto ele lavava seu rosto, do olho esquerdo nasceu a Deusa Amaterasu (a Deusa do Sol) a quem concede o domínio de Takamagahara e, do olho direito nasce Tsukuyomi-no-mikoto, a quem concede o domínio da noite, e do nariz nasce Susano-no-mikoto a quem concede o domínio do mar. Para a Deusa Amaterasu, ele ofereceu um colar feito de pedras. Com o nascimento desses deuses, que fornecem energia para o sol, para a lua e para o mar, dando-lhes vida e movimento, iniciam-se as atividades do universo.
A Deusa Amaterasu é a figura central e de maior importância na mitologia japonesa. Foi ela quem deu origem à família imperial. Ela é objecto de culto no Templo Ise, pertencente à família imperial. Até antes da Segunda Guerra, os japoneses acalentavam o desejo de visitar o local pelo menos uma vez na vida. Não por ser o templo da família imperial, mas para rezar e pedir por uma farta colheita à deusa Amaterasu, fonte da vida, ao Deus da Água Sarutahiko, e à Deusa dos Cereais, Toyouke."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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18-07-2005, 06:18 PM #3
2ª era - Era Yayoi
Era Yayoi

Desenvolvimento japonês
Origem do cultivo de arroz•
Por volta de século III A.C., devido às dificuldades enfrentadas em torno da política da Dinastia Han (actual China), muitos chineses migraram para o Japão, atravessando a Península Coreana. Esses chineses introduzem no Japão o cultivo de arroz. Assim, aos poucos, os nativos do arquipélago deixam a vida nómada de caça e pesca, e começam a fixar residência. As primeiras moradias fixas consistiam em covas rasas, cobertas com colmo. Pode-se dizer que foi o primeiro marco da revolução no campo.
Logo, o cultivo do arroz foi ganhando terreno, e, ao longo dos 100 anos seguintes, passou a predominar como a principal actividade económica das regiões de Kinki(1), Kanto(2) e Tohoku(3). Em 1943, foram descobertas 12 habitações nas escavações arqueológicas de Toro (província de Shizuoka) e, nos arredores do arrozal ali localizado, encontraram-se canais, celeiros de palafitas, poços e utensílios feitos de madeira. Um detalhe curioso é que nas paredes dos celeiros havia uma espécie de aba de protecção estrategicamente colocada junto ao celeiro, a fim de impedir a entrada de ratos.
Até a descoberta das ruínas de Toro, embora houvessem algumas citações em Koji-ki e Nihon-shoki (registros históricos escritos no século 8) referentes às habitações, utensílios e estilo de vida da época, tudo não passava de lendas, pois não existiam provas concretas. Porém, através dos vestígios de arrozais encontrados nas escavações de Itatsuki, na cidade de Fukuoka, em 1980, pode-se deduzir que os homens da Era Yayoi utilizavam enxadas de madeira para arar a terra, fazer valetas e caminhos, jogavam sementes na terra, e na colheita, ceifavam as espigas com facas feitas de pedra. Sabe-se que eram cultivados também trigo e soja, entre outros.
Os vasos em estilo Yayoi e utensílios de cobre
Receberam a denominação de vasos em estilo Yayoi, porque os primeiros foram descobertos no bairro de Yayoi. Caracterizam-se por serem mais finos, duros e possuírem menos adornos do que os vasos da Era Jomon. Os seus formatos diferem conforme o seu emprego, ou seja, se são destinados para cultos religiosos, cozimentos, conservas, recipientes para água ou alimentos.
A partir dessa era, começam a surgir utensílios de ferro, cobre, etc. O ferro foi utilizado para fazer instrumentos agrícolas, facas, espadas, lanças e entre outros. Os espelhos de cobre encontrados nas tumbas de grandes clãs foram utilizados, inicialmente, como presentes e como um dos objectos sagrados para cultos religiosos.
Os sinos de cobre também foram utilizados como parafernália de cerimónia religiosa, ou talvez, também como instrumento musical. Na superfície dos sinos observam-se as mais variadas figuras que nos levam a ter ideia da vida daquela época, tais como: homens caçando, mulheres sovando os cereais no pilão e as palafitas que serviam como celeiro ou depósito. A escolha de cobre para cunhar lindas figuras parece ser comum em quaisquer civilizações.
Os cadáveres contam a história
Na sociedade cuja actividade principal é o cultivo de arroz, naturalmente, com o tempo, acabam-se criando a classe dos mais favorecidos e a dos menos favorecidos. À medida que a diferença entre os pobres e os ricos se acentua, surgem a classe dominante e a dominada que vão se agrupando e formando aldeias, que por sua vez se unem em pequenos países. O surgimento das diferenças sociais é o momento também do início das lutas pelo poder. As valas em volta da aldeia comprovam as lutas entre as aldeias. Além disso, foram encontrados esqueletos humanos com pontas de flecha feitas de pedras trespassando os ossos.
Nas tumbas dos clãs foram encontrados também muitos objectos de adornos feitos de jade, ágata, ouro, cristal ou argila, com orifícios na parte superior para passar um cordão.
Pelas análises dos ossos encontrados nas escavações, podemos supor que os homens das remotas épocas também sofriam dos males semelhantes aos que enfrentamos hoje, como fractura dos membros, sinusite, poliomielite e artrite, etc. Ainda, segundo os antropólogos, o índice de sobrevivência de indivíduos de até 15 anos era de 40%. Consequentemente, a idade média de vida, tanto para o homem como para a mulher, deveria ter sido de 20 a 30 anos. Além disso, pelas arcadas dentárias é possível supor que as mulheres arrancavam os dentes incisivos e caninos quando se casavam ou na segunda núpcia.
Um dos factos do final da Era Yayoi que podemos saber com certeza é sobre o país chamado Yamatai-koku e a sua rainha Himiko que consta no registro da China intitulado Gishiwajin-den.
Rainha Himiko
A lendária rainha de Yamatai foi escolhida para governar a nação no século III;
Este episódio do Japão, encontrado em manuscritos da China, é famoso por contar a história de um governo que restaurou a paz no arquipélago japonês, antes dominado por sangrentas batalhas.
Por volta do anno Domini (século I), havia em Wa (denominação dada pelos chineses ao arquipélago japonês) mais de cem pequenas nações (tribos). A partir do final da Era Yayoi (século III), estas pequenas nações começaram a ser, pouco a pouco, subjugadas por outras mais poderosas. Dentre elas, destacou-se a nação Yamatai, governada por uma rainha chamada Himiko, que dominava mais de 30 nações.
A nação Yamatai, no início, era governada por um homem. Porém, as intermináveis batalhas que tomavam conta de todo o país fizeram com que os chefes das nações pertencentes a Yamatai elegessem uma mulher como líder. Assim, início do século III, Himiko foi escolhida para governar a nação.
Uma aura de mistério foi criada à volta de Himiko, pois ela morava num casarão cercado por muros altos e fortemente protegido por soldados, tendo a seu serviço perto de mil escravos. Ela nunca se casou e manteve-se isolada do mundo exterior. Todas as mensagens eram transmitidas por seu irmão, um fiel aliado e seu assessor directo. Himiko tornou-se uma espécie de xamã da nação, pois, sempre que lhe era pedido um conselho, ela retirava-se no oráculo, rezava a noite inteira e transmitia as revelações divinas na manhã seguinte, por intermédio de seu irmão. Acredita-se que ela realmente possuía o poder de prever o futuro, pois as medidas e as decisões tomadas mostravam-se sempre correctas.
Após a elevação de Himiko ao governo de Yamatai, a paz reinou no Japão. Para consolidar o seu poder, em torno de 239, Himiko mandou uma missão à distante Wei, uma das nações da China. Nesta época, a região estava dividida em três nações: Wu (em japonês “Go”= ), Shu (em japonês “Shoku”= ) e Wei (em japonês Gi = ), sendo esta última considerada a mais poderosa dentre as três.
A missão fez uma viagem de muitos meses pelo mar e depois por terra, finalmente chegando à capital Loyang. Lá, conseguiram uma audiência com o imperador de Wei e entregaram-lhe os presentes oferecidos pela rainha Himiko. Segundo o registro desse país, os presentes oferecidos foram: quatro escravos, seis escravas e tecidos. O imperador de Wei, por sua vez, retribuiu os presentes enviados pela rainha, concedendo-lhe o título de Shingiwao, ou seja, “Rainha de Wa (Japão), da nação aliada de Wei”. Além do título, presenteou-a com um selo de ouro e cem espelhos de cobre considerados sagrados.
A paz que havia voltado ao Japão após o reinado de Himiko foi rompida pela rebelião da nação vizinha Kunakoku. A batalha foi bastante violenta e, para conter o inimigo, por volta de 247, a rainha Himiko pediu ajuda ao reinado de Wei (China). O imperador declarou o seu pronto apoio enviando ao Japão a tropa chinesa comandada por Chang Cheng. Com esse reforço do país aliado, Himiko conseguiu superar a crise.
Não se sabe com exactidão quantos anos a rainha Himiko viveu, porém, supõe-se que ela tenha tido uma vida bastante longa. Quando Himiko morreu, um grande túmulo foi construído e foram enterrados com ela mais de cem escravos.
Após a sua morte, um homem assumiu o poder em Yamatai. Entretanto, logo reiniciou-se a guerra das nações pelo poder. O conselho reuniu-se e resolveu colocar no trono uma outra mulher. A escolhida foi Iyo, uma menina de apenas 13 anos, que conseguiu em seu governo restabelecer a paz seguindo a mesma linha política adoptada pela rainha Himiko.
Sabe-se da existência da nação chamada Yamatai e da rainha Himiko por registros da história de Wei (China); entretanto, até hoje é desconhecida a localização exacta da nação Yamatai no arquipélago japonês. Existem duas teorias quanto à sua localização: uma é a de que ela existiu ao norte da ilha de Kyushu (abrangendo as províncias de Oita, Fukuoka, Saga, Nagasaki, Kumamoto, Kagoshima e Miyazaki); e a outra, na região de Kinki (abrangendo as províncias de Quioto, Nara, Shiga, Osaka, Hyogo, Mie e Wakayama).
Como viviam os japoneses no século III?
Registro de Wei – relatos sobre Wa (Gishi Wajin-Den).
Os homens de Wa não usavam chapéus, amarravam uma tira de tecido na testa e cobriam-se com tecidos enrolados ao corpo e amarrados na cintura. As mulheres vestiam roupas feitas com tecido bem largo, com um corte no meio do pano, por onde passavam a cabeça para vesti-las. Plantavam pés de arroz e cânhamo e criavam bichos-da-seda. Quando as pessoas de hierarquia superior passavam pela rua, as de classes inferiores escondiam-se atrás de moitas e, ao dirigirem-lhes a palavra, ajoelhavam-se com as mãos apoiadas no chão.
O que Himiko comia?
A rainha de Yamatai teve, para a época, uma vida muito longa, alimentando-se basicamente de soja, verduras e arroz. Além desses pratos triviais, peixes também eram servidos, ou seja, desde aquela época, os pratos principais dos japoneses eram à base de arroz, soja, verduras e peixes."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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18-07-2005, 06:18 PM #4
Senior Member
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História do japão - Eras 1 to 5
falta ai uma era muito importante.....a era Toyota...
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18-07-2005, 06:19 PM #5
História do japão - Eras 1 to 5
Vou tentar meter aki 2 ou 3 eras por dia....
Tenho muito tempo livre...."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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18-07-2005, 06:39 PM #6
História do japão - Eras 1 to 5
Pilot (curiosamente, não sei como te chamas na realidade, acreditas?).
Moço, posso dizer-te que conseguiste fazer-me carregar o PRINT. Coisa que ando a tentar não fazer há meses (para poupar).
Sempre fui um grande aficcionado pelo poovo japones. E este teu post foi directo à mouche.
Impecável, e estás de parabéns.
Já agora... Obrigado pelo post, na parte que me toca.
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18-07-2005, 07:42 PM #7
Senior Member
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História do japão - Eras 1 to 5
jovem se internado poes topics deste nivel tens ficar internado mas é 365 dias por ano....estas mto la
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18-07-2005, 07:54 PM #8
História do japão - Eras 1 to 5
Sim senhor
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18-07-2005, 08:41 PM #9
História do japão - Eras 1 to 5
Mensagem Original de esteves
e ratava-te qnd? tinha de pelo menos sair ´noite....."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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18-07-2005, 09:03 PM #10
The Hulk
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História do japão - Eras 1 to 5
Grande post mesmo... à que tempos que não lia um post tão longo.
"Endure. In enduring, grow stronger."
Planescape Torment
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19-07-2005, 05:12 PM #11
História do japão - Eras 1 to 5
Mas vale a pena ler... ;)
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19-07-2005, 09:37 PM #12
História do japão - Eras 1 to 5
Estive cautelosamente a ler a história das Eras Japonesas... posso dizer que muito se explica da forma de ser dos Japoneses.
Muito curioso.
O culto da simplicidade!
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20-07-2005, 01:10 AM #13
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História do japão - Eras 1 to 5
O meu nick começa a fazer mais sentido? ;)
Mensagem Original de DXCup-Faroia
Carlos<br />
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20-07-2005, 01:14 AM #14
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25-07-2005, 10:48 PM #15
História do japão - Eras 1 to 5

Era Kofun
Tumbas: símbolos de poder
A Era Kofun ganhou esse nome em virtude das grandes tumbas antigas do final da Era Yayoi. Elas estão em Quioto, Nara, Osaka, Okayama, Shimane, Fukuoka, etc. Como mencionado no capítulo anterior, sabe-se que a rainha Himiko governou a nação Yamatai mantendo intenso intercâmbio com a China. A Era Kofun inicia-se depois desse episódio.
A cultura transmitida pelos migrantes (torai-jin)
A chave para a construção das gigantescas tumbas reside nos migrantes (torai-jin) que chegaram ao arquipélago japonês pela península coreana. Acolhidos quando a península coreana estava em guerra, os migrantes, que receberam cargos de elite na corte de Yamato, transmitiram a tecnologia da construção de tumbas e também de grandes templos, além de técnicas de forja, de sericultura, de tecelagem, de cerâmica e outras.
Este movimento migratório data desde a época da mudança da Era Jomon para Yayoi, quando muitos migrantes chegaram ao Japão. Actualmente, a teoria predominante da origem do povo japonês é de que ele surgiu da mistura do homem Jomon com os migrantes.
A corte de Yamato
Poderosos clãs construíam tumbas já por volta do século V, principalmente os clãs da região de Yamato. O governo era liderado pelo imperador e dividia as funções administrativas, instituindo o sistema de uji (grupo de pessoas da mesma linhagem) e de kabane (hierarquia dos clãs regionais que serviam à corte). Os clãs regionais forneciam produtos da terra à corte. Os grupos de uji cultuavam os seus deuses, tinham suas propriedades, controlavam o seu povo e serviam à corte.
Na hierarquia, existia o equivalente ao pária (camada mais baixa do sistema de castas da Índia). Eram os nuhi, da corte e dos templos, homens e mulheres escravos vendidos livremente.
No final do século IV, a corte de Yamato expandiu seu território até a região de Kara (sul da península coreana), alcançando poder militar suficiente para guerrear contra nações coreanas como Kokuri e Shiragi, aliando-se a Kudara.
Tumba Daisen
A tumba Daisen, do imperador Nintoku, em Osaka, é a maior do mundo, com 475 metros. Supondo que 6.800 mil pessoas tenham trabalhado na construção do túmulo, mobilizando 2 mil pessoas por dia, a obra levaria quinze anos para ser concluída. O montante gasto é calculado em 79.600 biliões de ienes. Mesmo com a actual tecnologia, seriam necessárias 29 mil pessoas, dois anos e seis meses, com o custo total de 2 biliões de ienes.
Torai-jin
O imperador Akihito, durante pronunciamento de abertura da Copa do Mundo de Futebol Japão – Coréia, em 2002, disse que a mãe do imperador Kanmu (737-806) era torai-jin (migrante)."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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25-07-2005, 10:49 PM #16
História do japão - Eras 1 to 5

Era Asuka
A Era Asuka (593 – 710) não é apenas uma subdivisão da Era Kofun, como pensam alguns historiadores. É um período importante da história japonesa, em especial da arte e da cultura do país. Foi nessa Era que floresceram obras de arte búdicas de relevante valor artístico. A transição de uma nação orientada pelo credo xamanista para uma nação institucionalizada, norteada pelas doutrinas confucionistas e budista, em que grandes clãs começaram a substituir tumbas monumentais por templos budistas aconteceu na Era Asuka. São templos construídos com extremo requinte, com imagens de Buda que são verdadeiras obras de arte. Entre esses, destaca-se o templo Hôryû-ji (607), construído totalmente em madeira, considerado património da humanidade desde 1993.
Na Era Asuka, a corte de Yamato, proveniente da região de mesmo nome (actual Nara e suas imediações), foi solidificando sua estrutura política, dominando os demais clãs. A figura central do Ôkimi (Grande Soberano) liderava a corte de Yamato. Clãs possuíam a função de ministros. Criaram-se cargos distintos, que passaram a ser hereditários, transformando-se de nação de carácter mágico - ritualista, do tempo da rainha Himiko, para a de estrutura administrativa que se aproxima da moderna.
Quando a soberana Suiko (592 – 628) tomou posse, em fins do século VI, seu sobrinho, o príncipe Shôtoku (574 – 622) tornou-se regente e, junto com o poderoso clã Soga-no-Umako, desenvolveu uma política para consolidar o sistema governamental do país. Assim, no ano de 603, foi criado, pelo príncipe Shôtoku, o Kan’i jûnikai (doze graus de hierarquia burocrática), para a valorização de burocratas. Em 604, ele instituiu o Kenpô Jûshichi-jô (17 Códigos da Constituição), mais preceitos morais norteados nas doutrinas de, principalmente, Budismo e Confucionismo. Com o objectivo de absorver o novo sistema político e cultural mais avançado, foram enviadas à China (na época, governada pela dinastia Sui) cinco missões de estudiosos e monges, o chamado kenzui-shi (missão a Sui, em japonês “ -Zui”).
Com a morte do príncipe Shôtoku, o clã Soga aumentou seu poder. Insatisfeito com isso, o príncipe Naka-no-Ôoe (mais tarde, imperador Tenji), em conspiração com Nakatomi-no-Kamatari (posteriormente Fujiwara-no-Kamatari), destruiu o clã Soga (645) e, consultando aqueles que tinham ido estudar na China (na época, governada pela dinastia Tang), iniciaram a reforma política para construir uma nação sólida. Essa reforma ficou conhecida como Reforma de Taika, pois nesse ano foi instituído o sistema de nengô, nome dado a certo período de anos e adoptado até hoje. O primeiro nengô foi da era Taika (645 – 650).
A Reforma de Taika transformou os terrenos de propriedade particular da família imperial e dos clãs em propriedade pública. O povo (agricultores) também passou ao controle do poder central (imperador). Instituiu-se, assim, um novo sistema de controlo nacional, bem como de cobrança de impostos, feito pelo ministro da família (koseki).
Com a morte do imperador Tenji, iniciaram-se as guerras pelo poder, vencidas pelo imperador Tenmu, que continuou com a reforma política e o fortalecimento do poder imperial. A sua sucessora, a imperatriz Jitô, instalou-se na região de Asuka (planície de Nara) e concluiu a reforma em 701 (primeiro ano da Era Taihô), que chamou de Taihô Ritsuryô, originando o sistema político norteado por ritsu (judiciário) e ryô (legislativo), que perdurou por muito tempo.
O sistema político ritsuryô devolveu o poder ao imperador, instituiu oito ministérios, cujos ministros foram escolhidos dos grandes clãs que despontaram desde a época da Reforma de Taika. A eles, foram atribuídos direitos, inclusive o título de nobreza, que passou a ser hereditário, criando, assim, classes sociais distintas. O Japão foi dividido em 60 koku (municípios), e cada koku foi subdividido em gun (freguesias); os gun, em pequenos ri (vilas). Cada koku era governado por um kokushi enviado pela capital, que, por sua vez, indicava os clãs para a administração do gun (gunji) e do ri (richô).
O ritsu estabelecia cinco penalidades de acordo com a gravidade do crime, sendo a mais leve a pena de açoite, e a mais pesada a pena de morte. Os crimes leves eram julgados pelos chefes da comarca (gunshi); e os graves, pelos ministros, ou mesmo pelo imperador. No norte da ilha de Kyushu, foi instalado, excepcionalmente, o dazaifu, para a defesa nacional, assim como para governar toda a ilha.
A cada seis anos, a corte renovava o koseki (ministro da família), atribuindo a todo indivíduo a partir de 6 anos de idade a sua parcela de arrozal (kubunden), que era devolvida à corte por ocasião de sua morte para sua redistribuição. Os agricultores, além de pagar imposto por seu kubunden, eram recrutados para prestar serviços em obras diversas e obrigados a prestar serviço militar. Em 710, foi construída uma nova capital em Nara, a oeste da actual cidade de mesmo nome, iniciando-se a Era Nara.
Príncipe Shôtoku
Panorama da época
O budismo foi introduzido ao Japão por volta de 538 (ou 552, segundo algumas teorias) pelos migrantes (torai-jin), quando no país já existia o shintoísmo, fé nativa. Desde o século V, os intelectuais liam o Analecto de Confúcio (uma colecção de escritos e ditos célebres de Confúcio) trazido por Wani, um torai-jin coreano de Kudara, recebendo, inclusive, estudiosos que chegaram à terra japonesa para ensinar a doutrina confuciana.
Na corte de Yamato, houve um conflito entre os partidários que defendiam o budismo (clã Soga) e os que o repudiavam (clã Mononobe). Em 587, o clã Soga derrota o clã Mononobe, e uma mulher é indicada para ocupar o supremo cargo, a imperatriz Suiko. Assim como nos tempos de Himiko, ela obteve muitos êxitos na construção de uma nação melhor estruturada, regida pelo seu sobrinho, o príncipe Shôtoku. Juntos, ao longo de 36 anos, eles modernizaram o sistema político, económico e diplomático e ainda colaboraram para a difusão do budismo.
Perfil do príncipe Shôtoku
O ídolo da História Antiga do Japão nasceu em 574, tendo como pai o imperador Yômei e como mãe Anahobe. O seu verdadeiro nome, Umayado (literalmente, porta do estábulo), deve-se, segundo a lenda, ao fato de Anahobe ter começado a sentir as contrações do parto na frente do estábulo real. Após a idade adulta, Umayado recebeu o cognome de Toyotomimi (ouvidos sábios), por sua inteligência aguçada e sabedoria ímpar. Uma lenda diz que ele conseguia ouvir reivindicações de dez pessoas ao mesmo tempo e encontrar soluções satisfatórias para todas.
Desde a tenra idade, ele dedicava-se aos estudos, demonstrando rara inteligência. Era totalmente devotado ao budismo e, juntamente com sua tia, a imperatriz Suiko, realizou inúmeras reformas políticas.
“Shôtoku”, cujo sentido literal é “virtude sagrada”, foi o cognome que se irradiou após o seu falecimento, em 622, devido aos seus feitos. Na velhice, afastou-se da política e dedicou-se à difusão do budismo, escrevendo obras sobre as interpretações de sutra, entre elas, San-gyôgisho.
Kan’i jûnikai (doze graus de hierarquia burocrática)
Este foi o primeiro sistema hierárquico do Japão, criado em 603 pelo príncipe Shôtoku que, por sua vez, recebeu forte influência da China. Chamou-se kan’i (hierarquia por chapéu), porque a distinção das hierarquias era feita pelo uso de chapéu de diferentes cores, e jûnikai (doze classes), por causa da divisão em 12 classes hierárquicas. Estas eram concedidas para pessoas de real valor e não eram hereditárias. No início, destinavam-se aos súbditos directos da corte, ou ainda aos chefes de clãs da região de Nara e suas imediações, onde se instalou a corte imperial. Porém, com o passar do tempo, essas classes hierárquicas foram estendidas aos chefes de clãs de todo o Japão.
Criação do Kenpô Jûshichi-jô (17 códigos da Constituição)
Não se pode dizer que esta seja uma “constituição” em seu real sentido, ou nos moldes actuais, e sim preceitos morais que serviam de directriz para a conduta dos “funcionários públicos”.
No Kenpô Jûshichi-jô, nota-se nitidamente a forte influência dos pensamentos budista e confucionista.
A ênfase à conduta conciliatória é bastante peculiar dentro do sistema de imperialismo absoluto.
Difusão do budismo
Por incentivo do príncipe Shôtoku, vários templos foram construídos no Japão. As construções proporcionavam a difusão em larga escala de técnicas de confecção de papel, pintura e outras formas de arte. O Templo Hôryû-ji (província de Nara), considerado o mais antigo templo de madeira do mundo, foi construído em 607. No início, era uma espécie de templo - escola para estudar o budismo. O templo Shitennô-ji (província de Osaka) foi alvo de admiração das delegações chinesas e coreanas que contemplaram, de seus navios, a sua magnífica construção. Nesse período, foram introduzidos no arquipélago muitos livros sobre budismo, astronomia, etc., iniciando-se a compilação da História do Japão tal como Tennô-shi (História dos Imperadores).
Relações diplomáticas
Em 607, o príncipe enviou o alto funcionário da corte, Ono-no-komachi para Sui como portador do documento credencial, abrindo, dessa forma, o caminho para relações diplomáticas em pé de igualdade com a China. Foram enviados os promissores funcionários jovens e monges eruditos para absorverem a cultura avançada da dinastia Sui (China). Esses preciosos recursos humanos levaram à Reforma de Taika.
Kenpô Jûshichi-jô
• Código 1 – Deve-se respeitar a harmonia e a hierarquia. A política deve ser conduzida com cooperação.
• Código 2 – Deve-se cultivar os três tesouros, que são: Buda = o sábio; as leis = os ensinamentos do Buda; sacerdote = o grupo que aceita com alegria os ensinamentos e os pratica.
• Código 3 – Deve-se obediência ao seu senhor. O senhor é o Céu, e o súbdito é a Terra.
• Código 4 – Os funcionários da corte devem ser cordiais com o povo.
• Código 5 – Ao julgar a queixa (denúncia) do povo, deve se proceder com imparcialidade.
• Código 6 – Fomentar o bem e aplicar o correctivo nos maus actos servirá de exemplo ao povo. Elogiar o superior e falar mal dos erros de seus súbditos não é ser fiel ao seu senhor.
• Código 7 – Cada um tem a sua missão a cumprir, e tudo sairá bem se o cargo público for ocupado por alguém competente.
• Código 8 – Os funcionários da Corte deverão chegar cedo e voltar tarde. Se chegarem tarde, não conseguirão atender aos imprevistos e, se voltarem cedo, não conseguirão terminar o serviço do dia a contento.
• Código 9 – Se os funcionários forem íntegros, qualquer empreendimento terá êxito. A integridade é a base da justiça.
• Código 10 – Deve-se conter a ira e deixar de lado o ódio, não se aborrecendo por causa da discórdia.
• Código 11 – Observe atentamente o bem e o mal. Sempre se deve premiar o bem e castigar o mal.
• Código 12 – Os chefes de comarcas não poderão receber presentes, nem recrutar mão-de-obra por conta própria. Para o povo, não deve haver dois senhores.
• Código 13 – Todos deverão estar a par dos trabalhos realizados pelos colegas, pois não se deve deixar parado um trabalho, caso alguém tenha que faltar por estar doente.
• Código 14 – Os funcionários da corte não deverão ter ciúme, pois ele cega-os perante a competência alheia.
• Código 15 – Deve-se procurar os benefícios públicos, abandonando os sentimentos pessoais.
• Código 16 – Deve-se recrutar o povo levando em consideração a época. Utilizem o trabalho do povo no Inverno, quando há mais tempo livre. Da Primavera ao Outono, é a época de trabalho no campo ou da sericultura.
• Código 17 – Os problemas graves devem ser discutidos exaustivamente entre os funcionários, para a busca de uma solução."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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25-07-2005, 10:51 PM #17
História do japão - Eras 1 to 5

Era Nara
Ao conquistar a estabilidade com o sistema político de Ritsuryô, a corte imperial mudou a capital para cidade de Heijô, a oeste de Nara, dando início à Era Nara, em 710.
A cidade de Heijô foi construída seguindo o modelo da capital chinesa da época, Changan, com ruas simetricamente dispostas como em um tabuleiro de xadrez. A cidade chegou a contar com mais de 100 mil habitantes e, nas ruas principais, perfilavam-se as mansões dos nobres, os templos budistas e também as casas do povo. Criaram-se feiras controladas pela corte, intensificando o comércio, que deu origem às primeiras moedas japonesas, embora no interior os tecidos e o arroz ainda desempenhassem a função de moedas.
A agricultura também ganhou novo alento com a difusão de ferramentas agrícolas e o progresso nas obras de irrigação. Além disso, os minérios são explorados em maior escala, tais como ouro da região de Mutsu (actualmente, províncias de Fukushima, Miyagi, Iwate e Aomori) e cobre da região de Suô (actualmente, província de Yamaguchi), fatos que também contribuíram para o início da cunhagem de moedas.
Com o aumento do poder da corte Yamato, sua área de domínio passou a abranger regiões mais longínquas. A corte dominou desde o povo Emishi, ao norte do Japão, até o povo Hayato, ao sul da ilha de Kyûshû.
Kentô-shi (Missão a Tang)
Na Era Nara, para absorver a cultura avançada da dinastia Tang (China), foram enviadas várias missões.
Normalmente, a missão partia numa frota de 4 navios e era composta por 100 a 250 pessoas, embora uma missão tenha chegado a ter 500 pessoas. Nem o perigo das ondas revoltas do Mar do Japão ou do Mar da China desanimou essa delegação, composta por estudiosos, monges e bolsistas, que tinha uma grande vontade de aprender a cultura chinesa, nova e mais avançada. Assim, as missões a Tang contribuíram muito para o desenvolvimento político e cultural do Japão.
Ainda, nessa época, o Japão manteve intensa relação diplomática com Shiragui (Coreia) e Pohai, uma nação que existiu ao norte da China entre 698 ~ 926.
As mulheres no poder
A Era Nara também é conhecida como era das imperatrizes, já que houve muitas mulheres governantes que se destacaram por sua sabedoria e sagacidade. Nos 74 anos da Era Nara, cerca de 30 anos ficaram sob o governo das imperatrizes Genmei (707~715), Genshô (715~724), filha da imperatriz Genmei, e Kôken (749~758) que, mais tarde, assumiu novamente o poder sob o nome de imperatriz Shôtoku (764~770).
A construção da capital em Heijô (Nara), a cunhagem da moeda e a edição das obras Koji-ki (história do Japão) e Fudo-ki (geografia do Japão) ocorreram no mandato da imperatriz Genmei. No governo de Genshô, foram concluídos o Código de Direito Yôrô Ritsuryô (obra com alterações parciais do Taihô Ritsuryô) e o livro de história oficial do Japão, o Nihon Shoki.
Os 25 anos de governo do imperador Shômu (724~749) não podem ser contados sem mencionar sua esposa, a imperatriz Kômyo, filha do poderoso clã Fujiwara-no-Fuhito. Conhecida por sua alma caridosa, ela construiu instituições como Seyaku-in, para medicar e ajudar os doentes, e Hiden-in para abrigar os pobres, doentes e órfãos. Devota do budismo, Kômyo contribuiu para a construção do templo Tôdai-ji, conhecido pela imagem gigantesca do Buda.
A Era Nara, a exemplo de outros tempos governados por mulheres, conheceu a paz e o florescimento da cultura.
Cultura Tenpyô
Recebe este nome por ter florescido na era Tenpyô (729~749). Sob forte influência chinesa, foram criadas muitas obras búdicas e muitos templos foram construídos, entre eles, o famoso templo Tôdai-ji, que ainda hoje possui um acervo fabuloso de obras de arte, inclusive obras indus e persas que, passando pelo caminho da seda (Silk Road), foram levadas a Tang (China), e mais tarde, ao Japão.
O perseverante monge Ganjin (688 ~ 763)
Para fomentar o budismo, o Japão convidou Ganjin, monge chinês conhecido por suas virtudes, para divulgar os preceitos do budismo. Ele aceitou o convite e tentou chegar ao Japão, mas foi náufrago por cinco vezes, sendo levado de volta às praias de Tang, e ficou cego. Mesmo assim, ele não desistiu de propagar o budismo e, na sexta tentativa, ele conseguiu chegar ao Japão, em 753. Ganjin construiu, em Nara, o templo Tôshôdai-ji, dedicando os últimos anos de sua vida à propagação do verdadeiro budismo entre os japoneses.
O sofrimento dos camponeses
Devido à alta taxa de impostos, serviço militar obrigatório e recrutamento para trabalhos diversos, os camponeses moravam em casebres e levavam uma vida miserável, passando fome, mal tendo com que se alimentar durante o ano todo. Para aliviar a carga tributária, surgiram os falsificadores do registro de família, ou mesmo aqueles que abandonaram o campo, fugindo para outras terras.
Quando os arrozais começaram a dar sinais de abandono, ou tornaram-se insuficientes para a redistribuição, a corte consentiu a posse privada dos terrenos abandonados para o cultivo. Em 743, com a lei de posse definitiva dos arrozais recém - explorados, que permitiu a posse de terras, se transformadas em terreno produtivo em três anos, nobres e templos começaram a aumentar as suas propriedades rurais, fato que corroeu, aos poucos, o alicerce do sistema político de Ritsuryô.
O despontar das literaturas
Com o objectivo de deixar os fatos do passado para a posteridade, foram compiladas no período obras de referência histórica, geográfica e literária do Japão, depois de anos de intenso trabalho
As primeiras obras de História do Japão (Kojiki e Nihon Shoki), de Geografia (Fudoki), e a antologia de poemas (Man’Yôshu) foram compiladas na Era Nara. Além delas, foram escritas outras obras de menor importância pelos clãs regionais ou a mando deles, já que o homem sempre teve o desejo de deixar para a posteridade os seus feitos.
Kojiki
É o livro de História do Japão considerado o mais antigo. A obra foi concluída em 712, a mando da imperatriz Genmei. Foi compilado por Ô-no-Yasumaro, com auxílio de Hieda-no-Are. Trata-se de uma obra em três volumes. No primeiro, são relatadas as peripécias dos deuses, desde a criação do arquipélago japonês; no segundo e terceiro volumes, as biografias dos imperadores, desde o primeiro soberano do clã Yamato, o imperador Jinmu, que subiu ao trono em 660 a.C., embora considerado pelos historiadores como um personagem fictício para legitimar a linhagem divina da família imperial, já que ele é considerado descendente directo da deusa do sol Amaterasu Ômikami. A obra termina com o governo da imperatriz Suiko (592~628).
No Kojiki, são relatados episódios como o do capricho da deusa do sol, Amaterasu Ômikami, que se escondeu na caverna deixando o mundo mergulhado nas trevas; a aventura de Susanô-no-Mikoto, que mata a gigantesca serpente de 8 cabeças usando sua astúcia; e outras histórias.
Nihon Shoki
Primeiro livro oficial de História do Japão, foi concluído em 720 e compilado pelo príncipe Toneri Shinnô, terceiro filho do imperador Tenmu, e muitos outros. É uma obra de 30 volumes, que começou a ser compilada na época do imperador Tenmu (673 ~ 686) e levou 39 anos para ser concluída. Como há muitas citações de obras chinesas e coreanas, acredita-se que houve a participação de muitos kika-jin (intelectuais estrangeiros naturalizados) em sua confecção. Assim como Kojiki, relata desde os tempos dos deuses até a imperatriz Jitô (645~702), esposa do imperador Tenmu, que ocupa o trono após a morte do marido (690~697).
Fudoki
Em maio de 713, a imperatriz Genmei ordena que sejam feitos relatórios de cada região (fudoki) seguindo os cinco itens abaixo:
• Colocar o nome nas comarcas formado por dois ideogramas auspiciosos;
• Relatar todos os produtos (tudo que se colhe da natureza, excepto os produtos agrícolas e manufacturados), plantas, peixes, aves e animais da comarca;
• Detalhar as condições dos solos; se são férteis ou não; terras produtivas e as que possam se tornar produtivas;
• Descrever montanhas, rios, campos e explicar a origem de seus nomes;
• Anotar as lendas contadas por anciãos.
Dessa forma, devem ter sido entregues fudoki de mais de 60 regiões, mas foram conservados até os dias de hoje apenas 5 fudoki, a saber: de Izumo-no-Kuni, Hitachi-no-Kuni, Harima-no-Kuni, Bungo-no-Kuni e Hizen-no-Kuni. De entre eles, o único que existe ainda hoje na íntegra é o Izumo-no-Kuni, fudoki concluído em 733, no qual constam as descrições de Izumo-no-Kuni, atual província de Shimane, e de seus templos xintoístas e budistas, montanhas, rios, estradas e produtos da natureza.
Harima-no-Kuni (actual província de Hyogo) fudoki, um dos primeiros a ficar pronto, foi concluído por volta de 715, com registro de muitas lendas populares num estilo bastante singelo. O fudoki de Hitachi-no-Kuni (actual província de Ibaraki) deve ter sido concluído entre 717 a 724, e os de Bungo-no-Kuni (actual província de Oita) e de Hizen-no-Kuni (actuais províncias de Saga e Nagasaki), por volta do ano 739.
Man’Yôshu
É a antologia de poemas japoneses mais antiga, contendo mais de 4.500 poemas distribuídos em 20 volumes. Não se sabe ao certo quem reuniu e compilou todos os poemas, mas supõe-se que, no início da Era Nara, já houvesse um original reunindo os diversos poemas, aos quais o nobre Ôtomo-no-Yakamochi juntou a antologia de poemas da sua família, fez a revisão geral e concluiu a obra por volta de 760.
Nos últimos volumes, constam os poemas da autoria de Ôtomo-no-Yakamochi escritos após 746. Além dele, a antologia reúne poemas de imperadores, nobres, humildes camponeses, poetas da corte e outros tantos poemas de autoria desconhecida.
Destacam-se, por seu alto teor literário, os poemas de Nukata-no-Ôkimi, amada do imperador Tenmu, Kakinomoto-no-Hitomaro, poeta da corte, Yamanoue-no-Okura, filósofo de grande conhecimento que fez parte de uma das missões a Tang (China), e muitos outros poetas.
Os poemas foram escritos em kanji (ideograma), porém, levando em conta apenas as suas leituras, ou seja, utilizando-os apenas como fonogramas (kana). Assim, esse tipo de recurso da escrita recebeu a denominação de man’yô-gana, ou seja, fonogramas de man’yô-shu. Das escritas cursivas desses man’yô-gana, criaram-se, mais tarde, os fonogramas hiragana."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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25-07-2005, 11:02 PM #18
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25-07-2005, 11:36 PM #19
História do japão - Eras 1 to 5
DarkPilot! Digo-te, impecável!
Ainda te mando um desafio... já que estás numa de trabalhar impecavelmente, desafio-te a colocares aqui as teorias e estratégias do General Sun Tzu.
Esse tambem uma belissima leitura. ;)
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26-07-2005, 11:13 AM #20
História do japão - Eras 1 to 5
Já li isso.......
Não tem nada de mais, são estratégias simples e o mais eficazes possivel... Se arranjar isso em formato digital, ainda meto ai..."Truly Superior Pilots are those who use their Superior Judgement to avoid those situations where they have to use their Superior Skills.
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